Desta vez apresento a vocês uma autora que aborda um gênero bastante peculiar na literatura: as lendas e os mitos. O mais interessante (ao menos para mim, haha) é que ela mora na minha cidade e me senti bastante orgulhosa por conhecer o seu trabalho.
Vamos conhecer a Luciana do Rocio Mallon, autora do livro Lendas Curitibanas!
1. Como foi seu primeiro contato com a leitura?
LRM: Na verdade, não me lembro ao certo. Mas acredito que seja por volta dos 4 anos, pois minha tia costumava me dar livros de presente. Lembro que aos 5 anos eu gostava de folhear uma coluna infantil chamada Gazetinha do Jornal Gazeta do Povo.
2. Na infância, qual era sua relação com os livros?
LRM: Eu lia todo o tipo de leitura que caía na minha mão, desde livro infantil até bula de remédio.
3. Quando você começou a escrever?
LRM: Comecei a escrever aos 6 anos de idade, logo que fui alfabetizada na escola.
4. Quais são suas inspirações para escrever? Tem algum autor ou livro como referência?
LRM: Eu uso como inspirações: as pessoas do povo e as notícias populares. Gosto de escritores como: Machado de Assis, Dalton Trevisan, Cecília Meireles, Paulo Leminski, Mário Quintana, Salsidc, entre outros.
5. Sua produção literária é peculiar, pois envolve a narrativa de lendas e mitos. Poderia descrevê-la um pouquinho? Como é seu processo criativo ao desenvolver suas histórias?
O dicionário define lenda como mitos e causos que são contados de geração em geração. Mas, na realidade, o significado desta palavra vai além desta mera definição. Eu me interesso por lendas urbanas desde os seis anos de idade, pois minha família tem o costume de contá-las para as crianças. Aos onze anos descobri uma espécie de porão que havia na casa da minha avó materna. Um dia entrei às escondidas lá e descobri que meu falecido bisavô, Torres, estudava os mitos da cidade de Curitiba. Em 2002, com medo que estas estórias ficassem somente entre minha família, resolvi colocá-las na Internet, ao mesmo tempo que eu caçava outros causos. Muitas pessoas perguntam o porquê eu corro atrás das lendas urbanas do Paraná. Então eu respondo assim: há vários motivos para eu pesquisar estas estórias, tudo porque atrás de um causo há um pingo de verdade e muitas vezes esta verdade possui uma razão histórica. Afinal, resgatar lendas é uma maneira de estudar a História do lugar e passá-la de geração em geração de uma forma divertida e não monótona, como muitas vezes acontece dentro de uma sala de aula. Outro fator que me leva a pesquisar as lendas urbanas do Paraná é que estas estórias possuem o dom de elevar a autoestima das pessoas do lugar. Infelizmente, o Paraná é o único Estado do sul do Brasil que ficou sem símbolo definido. Afinal, o Rio Grande do Sul tem como representante o homem com típicas roupas de gaúcho e Santa Catarina tem como símbolo o casal vestido com roupas alemãs. E o Paraná? O que tem como símbolo? Seria a araucária? Seria a Gralha Azul? Ora, conforme vamos resgatando as suas lendas chegaremos ao seu símbolo ideal. Antigamente as pessoas de uma determinada região possuíam uma autoestima elevada. Pois, naquela época, havia o costume das pessoas se reunirem em torno de uma fogueira para escutarem o mestre que contava lendas. Infelizmente, pouco a pouco, esta tradição perdeu-se e é preciso resgatá-la de alguma maneira. Através deste texto é possível concluir que as lendas urbanas são pistas históricas importantes para o estudo de uma região.
MQS: Adorei a resposta da autora! Quantas vezes, nos últimos anos, paramos ao lado de uma pessoa mais velha para ouvi-la contar histórias da região em que vive? E quantas vezes consideramos o valor mnemônico por detrás destas histórias? É um registro oral muito rico e que realmente mereceria muitos livros!