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[Resenha 157] A diaba e sua filha

em 9.2.17 26 comentários
Título: A diaba e sua filha
Autora: Marie NDiaye
Editora: Cosac Naify | 2011 | 40 páginas
Sinopse: A atmosfera noturna dá à história da autora franco-senegalesa Marie NDiaye um caráter sombrio e misterioso. O sincretismo de NDiaye ecoa em seu texto, mescla de metáforas dos contos de fada tradicionais e de elementos da literatura africana. No livro, uma diaba sai todas as noites da floresta à procura de sua filha que desapareceu misteriosamente, junto com a casa onde moravam. Foi quando a diaba percebeu também que seus delicados pés haviam se transformado em cascos de cabra – deformidade que causa repulsa nas pessoas. A ambiguidade da personagem – alegoria da noite –, de face graciosa, olhos doces, mas com cascos no lugar dos pés, suscita no leitor alguma hesitação e muitos questionamentos. Um livro enigmático que nos convida a refletir sobre como o afeto é capaz de humanizar até a aparentemente mais aterrorizante criatura e sobre a importância de se respeitar as diferenças, visíveis e invisíveis.

“NDiaye escreve sobre os nossos medos e o modo como eles são colectivamente construídos. Escreve sobre a necessidade de classificarmos os outros e os arrumarmos em bons e maus, em anjos e monstros.” (Mia Couto)

Resenha

– Alguém sabe onde está minha filha?

A diaba e sua filha me atraiu inicialmente pelo título, depois a sinopse cumpriu o objetivo e acabou por me incentivar a adquirir essa leitura. Até então não tive contato com a literatura africana, algo que pretendo mudar depois dessa bela experiência.

Com uma narrativa melancólica, somos apresentados a uma jovem que não se lembra quem foi ou onde mora. Ela apenas carrega uma certeza: é mãe de uma menina, de quem desconhece o paradeiro. Conforme anda pelas ruas, seus passos ecoam: clique-claque, clique-claque, clique-claque...

Ela não é capaz de dizer desde quando seus pés se tornaram parecidos com pequenos cascos de cabra, com uma acentuada fenda. No véu de suas lembranças sabe que nem sempre foi assim. Um dia, seus pés foram normais.

Ela bate de porta em porta e pergunta a quem lhe atende: 

– Onde está minha filha?

[Lançamento] Deuses Tupiniquins

em 6.2.17 11 comentários
Se
você não leu O Mythos: O Fim do Mundo é Logo Ali, do autor M. R. Terci, está perdendo um dos melhores livros nacionais contemporâneos disponíveis na Amazon.

Em minha resenha, destaquei a criatividade incomparável do autor ao trazer à tona os deuses brasileiros, aqueles que já existiam e eram cultuados antes da nossa colonização. Com maestria, M. R. Terci nos provoca a pensar sobre como eram as crenças dos nativos antes de a cultura europeia lhes ser imposta. Ou seja, como eram as raízes da nossa terra, essa sobre a qual ainda pisamos, antes de tudo ser reescrito pelo homem branco.

Depois do enorme sucesso de O Mythos, o autor agora nos apresenta uma sequência bombástica! 

Ele lançou a minissérie Deuses Tupiniquins, 
que será publicada em três volumes digitais na Amazon.
O primeiro já está disponível: 


Título: Deuses Tupiniquins – volume 1
Publicação independente: Amazon | 2017 | 69 páginas
Sinopse: “Um relâmpago, lépido, acendeu o ar carregado de olores de álcool e, naquele instante, Rabicó viu as silhuetas hediondas de duas figuras antropomórficas se batendo no meio do bar. Eram gigantes poderosos. Aquele que aparentemente levava a pior tinha o corpo disforme, convulso, menos denso que o seu antagonista e gritava de agonia. Quando voltou sua cabeça para o alto, uma imensa onça saltou de sua boca.”
Bem-vindos a um mundo governado pelo caos, pela fome e pela miséria. Um lugar escuro, onde poder vale mais do que vidas humanas e o sangue é a única moeda de troca. Bem-vindos ao exato momento em que toda loucura e perversidade do abismo e toda funesta sujeira da alma humana serão servidas numa bandeja de prata à míngua dos mais nobres valores e das verdades mais incontestáveis da natureza humana. Bem-vindos, DEUSES TUPINIQUINS, ao nosso mundo moderno.

A 
sinopse me encheu de expectativas porque faz menção a Rabicó, um dos personagens secundários de O Mythos que agora vem brilhar em Deuses Tupiniquins recebendo mais atenção.

[Resenha 154] O Mythos: o fim do mundo é logo ali

em 16.12.16 24 comentários
Título: O Mythos – O fim do mundo é logo ali
Autor: M. R. Terci
Publicação independente: Amazon | 2016 | 285 páginas
Sinopse: "Os gringos tiraram as divindades do próprio quintal e trouxeram seus ídolos, seus mártires crucificados, seus santos imolados, seus caras orelhudos e seus lances de macumba para dentro dos santuários e dos locais de adoração e poder dos Antigos Deuses Brasileiros. Essa terra já foi Deles e, pelo visto, voltou a ser."

Tudo começou com sangue e, assim, deve terminar.
O detetive P. Pastore, vulgo Pastor, é um profissional de reputação duvidosa, conhecido por trabalhar para gente da pior espécie na Cidade Baixa. Quem o conhece de perto, sabe que o melhor a fazer é se afastar, sair do caminho desse toxicomaníaco sem esperanças a meio caminho do suicídio. Dizem, que o sujeito vê, ouve e sente coisas que só coabitam os limites de sua delirante percepção.
Quando uma misteriosa funcionária da embaixada russa contrata Pastore para encontrar sua protegida, a filha do embaixador, tudo muda. Para pior. Seguindo suas pistas, numa infindável trama mitológica, o detetive enlouquece de vez e executa a garota na Baía das Águas Claras.
Preso em flagrante, Pastore é conduzido ao Distrito Amarelo.
Agora ele tem apenas uma noite para convencer os investigadores de que o melhor que todos têm a fazer é encomendar a alma a Deus e jogar roleta russa na sala de interrogatórios.

Uma visão contemporânea e insanamente desapiedada sobre a mitologia desenvolvida por Monteiro Lobato. Uma história negra, com um crescendo de loucura e perversidade que conduzem o leitor ao clímax diabolicamente inusitado.
Bem-vindos a esta viagem alucinante às raízes folclore brasileiro, numa dramática infusão da beberagem do horror cósmico com 100% malte de divindades brasileiras.
O Mythos é recomendado para os doentes da razão e os degenerados do espírito. LEIA SEM MODERAÇÃO. Persistindo os sintomas, um xamã devera ser consultado.

Resenha
[literatura +18 por conter violência explícita]

Há enredos inovadores, ousados e envolventes. Mas nunca conheci nenhum que sequer se aproximasse desse. O Mythos – O fim do mundo é logo ali está além de qualquer imaginação, com exceção da criatividade singular de seu autor.

Nosso protagonista não é jovem. Sua experiência já se revela em um corpo físico cansado, mas duro na queda. Pastore é seu sobrenome, vulgarmente chamado de Pastor. Logo no início percebemos que o povo o odeia, a polícia também. Ele acaba de ser detido e prestará depoimento. Está sendo acusado de ser o sanguinário Homem de Palha, assassino que gosta de estripar suas vítimas.

Pastore não é santo, logo notamos.
Mas ele também não costuma levar crédito pelo que não fez.

Ele não é o Homem de Palha. O problema é que sua ficha está longe de ser limpa. E, claro, ele é um poço de informação para a polícia. Pastore é um ex-militar que atua, agora, como detetive. Mas nem tudo o que diz faz sentido.

Calma, eu explico: Pastore carrega um dom (ou talvez uma maldição). Ele vê fantasmas. Os espíritos descarnados não são belos, tampouco permanecem eloquentes quando presos no mundo dos vivos. Logo, Pastore leva uma vida de grande dificuldade.

Com esse dom, resolve casos complexos. Igualmente, no entanto, acaba por se envolver em situações bizarras. E isso nos leva ao enredo de O Mythos.

[Setembro Amarelo] Prevenção ao Suicídio

em 10.9.16 20 comentários
Hoje,
10 de setembro, é o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio.

Por isso, a campanha Setembro Amarelo se realiza nesse mês com a intenção de conscientizar a população sobre a prevenção ao suicídio, disseminando informação e incentivando a sensibilidade.


Falar
sobre o suicídio é o primeiro passo para oferecer apoio a quem se sente desamparado, desvalorizado, deprimido, fracassado... É o primeiro passo para reconhecer o que leva alguém a considerar o suicídio uma alternativa para interromper o sofrimento.

- Fonte
As
palavras revelam o mundo que cada pessoa leva nas costas. Elas revelam quando a vida parece perder o sentido ou o valor. É preciso estar atento aos sinais. É preciso levar a sério o sentimento que as palavras trazem, o sentimento que as atitudes expressam.

Resenha 147 | Operação Harém

em 15.6.16 25 comentários
Título: Operação Harém – O mundo secreto da prostituição de luxo
Autor: Tony Chastinet
Editora: Companhia Editora Nacional | 2015 | 344 páginas
Sinopse: Depois de ter o sonho de fazer dinheiro no exterior destruído, Ariane volta ao Brasil disposta a denunciar uma grande rede de prostituição de luxo e tráfico internacional de mulheres. É assim que começa Operação Harém, livro-reportagem do jornalista Tony Chastinet, que, instigado pelo anonimato da operação à época, foi buscar informações para encaixar as peças dessa brilhante investigação conduzida pela Polícia Federal e por agências de segurança internacionais. O leitor terá à mão os detalhes do esquema milionário e saberá um pouco mais da vida das mulheres que fazem o famoso book rosa. Mergulhará na grande rede da prostituição de luxo, onde não há limites para o poder e a ganância.

Resenha
por Bianca

Ano de 2009. A polícia federal investiga esquema internacional de prostituição de luxo. Uma quadrilha estava envolvida neste esquema, que foi denominado de Operação Harém pela PF. Os investigados aliciavam e exploravam modelos, atrizes, dançarinas de programas de TV e ex-integrantes de reality shows para prostituição. Os valores variavam de quatro a vinte mil reais por programa. O cenário? Hotéis luxuosos dentro ou fora do Brasil. Os clientes? Políticos, empresários, jogadores de futebol.

Onze pessoas chegaram a ser presas. De acordo com informações da Folha de São Paulo, em 2014 já respondiam em liberdade. A justiça brasileira entende que prostituição não é crime, e que as mulheres aliciadas pela quadrilha envolveram-se por vontade própria. Os nomes dos envolvidos, clientes e prostitutas são mantidos a sete chaves pela PF.

Infelizmente, tudo isso que relatei não é ficção. É um fato verídico e, se você nunca ouviu falar a respeito, explico o motivo: a mídia não fez muito alarde sobre a operação. Alguns jornalistas declararam que muitos políticos tentaram (e pelo jeito conseguiram) “abafar” o caso na mídia. Procurem agora mesmo sobre a operação no Google. Vou esperar.

Resenha 146 | Diabólicos

em 17.5.16 21 comentários
Título: Diabólicos
Autora: Natália Mussato
Editora: EX! Editora | 2016 | 50 páginas
Sinopse: Hiro precisa se ajustar, retomar o convívio social e reprimir seus instintos primários de ferir, livrar-se das lembranças demoníacas que assombram seu passado.
Erina faz de tudo para manter sob controle o demônio dentro de si, buscando no autoflagelo a cura para o mal que a habita.

Mas, quando dois demônios se encontram, anulam-se os receios e aflora o mal da cada um deles, reacendendo o descontrole de Hiro e fazendo aflorar o pior de Erina. Seria ele real ou apenas uma desculpa para fazer vir à tona seus sentimentos?

Seja qual for a resposta, já não há mais grades para detê-lo; as pessoas finalmente saberão como eles são diabólicos.

Resenha
[novela para +16 anos]

Eu já conhecia o talento da Natália Mussato, mas uau. Não estava preparada para um enredo tão anticonvencional e provocativo. Devorei-o com o deleite de quem sabe que peca, mas não consegue parar.  

Narrado em terceira pessoa, Diabólicos apresenta Hiro, um professor que está sob acompanhamento psiquiátrico por determinação legal. Ele não quer ser atendido por uma profissional que definitivamente não o entende, mas é obrigado a comparecer às sessões por ter se envolvido no suicídio de uma aluna. Entre ir para a cadeia e enfrentar uma psiquiatra que pensa ser capaz de mudá-lo, é óbvia qual foi a sua escolha.

No entanto, Hiro realmente precisa de tratamento. Ele possui algo dentro de si, encoberto nas sombras, que é difícil manter sob controle. Seu demônio interior gosta de causar dor. Aprecia o sangue, o sofrimento, as lágrimas, o desespero. Sua psiquiatra deu-lhe um rótulo: Hiro é um sádico.

Por outro lado, conhecemos Erina. Todos os dias, Erina sofre violência. É brutalmente espancada, maltratada, ignorada ou humilhada pelos seus pais. Ela se acostumou à dor, mas seus pensamentos estão cada vez mais sombrios. Sempre que seus pais agridem um ao outro, o demônio dentro dela sorri. Ela o sente agitar e sacudir as jaulas da sua consciência. Tem medo do que poderia fazer se, um dia, seu demônio se libertar.

[Pré-Venda | Catarse] Positivo

em 12.5.16 16 comentários
Eu
gosto muito de colaborar na divulgação da literatura nacional! Trazer novidades para vocês, especialmente de novos talentos brasileiros, me anima.

Hoje apresento Positivo, que está em pré-lançamento no Catarse. A obra veio para provocar em seus leitores uma dramática reflexão sobre o enfrentamento do vírus HIV. O enfoque do autor não é propriamente sobre a doença, e sim sobre sua relação com a sociedade.

Aos que não sabem, por meio do Catarse você pode propor um projeto e arrecadar recursos para desenvolvê-lo. Os apoiadores têm diferentes opções de valores com os quais podem colaborar e, para cada um deles, há recompensas. Ou seja, é como uma pré-venda. Você colabora financeiramente, mas também adquire produtos nessa colaboração. Se o projeto não alcançar sua meta em 60 dias, cada colaborador recebe seu dinheiro de volta.

Conheça Positivo e apoie essa publicação!

(Não há ainda uma capa oficial para a obra. O autor está usando uma foto dele por enquanto.)
Em
seu primeiro livro, Heresias, Cigarros e Morte (também divulgado no blog), o autor abordou a condição de um homem frustrado sem motivos para viver. Agora quer trabalhar mais uma vez com a melancolia.

Resenha 145 | O Céu é Logo Ali

em 7.5.16 12 comentários
Título: O Céu é Logo Ali
Autora: Lilian Farias
Editora: Divas | 2015 – 3ª edição | 115 páginas
Sinopse: "O céu é logo ali representa a liberdade que são as borboletas e nos pássaros. Dolores e Clarice são mulheres que buscam tal liberdade. Dolores é uma mulher de muitas experiências; de vida simples e sem amigos. O único amigo que possui é esquizofrênico e a trata com muito carinho. Clarice é cheia de mimos e sempre teve de tudo, mas o que as liga são suas tribulações de sentimentos e busca por liberdade. Dolores fica encantada com o mais simples dos gestos, um pingo de chuva sobre a pele faz dela a pessoa mais feliz e livre do mundo. Já Clarice tem a vida dos sonhos, porém o destino pode destruí-lo com rapidez. O livro da Lilian é profundo e tocante. Ele nos mostra que devemos aproveitar o momento porque tudo pode acabar em um piscar de olhos." (Fernanda Bezerra)

"Ao adentrarmos nos mundos distintos dessas duas jovens, mergulhamos numa profusa miscigenação de anseios, lutas, estratégias de sobrevivência. A história de duas mulheres que, unidas pelo destino, resolvem aflorar todo fluxo de sobrevivência do "ser", do corpo, da alma, da mente, que advém quando se é permitido ser livre. Liberdade, essa, assemelhada a quem saboreia o voo das borboletas." (Valéria Sabrina)

Resenha

Tive o prazer de ler O Céu é Logo Ali depois de ter o blog acolhido como parceiro da Lilian Farias. Já acompanhava o belo trabalho que a autora desenvolvia na defesa das minorias e, especialmente, das mulheres. Depois da leitura, só posso dizer que – mesmo com minhas altas expectativas – a narrativa dela conseguiu me encantar desde as primeiras páginas!

Poético, irreverente, provocativo, dialógico e inédito... É assim que defino O Céu é Logo Ali. O primeiro diferencial a ser destacado é o estilo narrativo. Conhecido como fluxo de consciência, a técnica adotada pela autora envolve desnudar a subjetividade dos seus personagens incluindo nas entrelinhas suas próprias impressões pessoais. Eu gostei muito de ampliar meu ponto de vista sobre os fatos a partir do agradável diálogo da autora com seus leitores.

Resenha 144 | O Lago Negro

em 1.5.16 19 comentários
Título: O Lago Negro
Autora: Juliana Daglio
Editora: Arwen | 2015 | 368 páginas
Sinopse: Verônica é uma garota problemática marcada por um passado traumático do qual mal se lembra, mas que lhe tirou o direito à total sanidade.
Ao se mudar para o interior, depois de passar no vestibular, ela se depara com o local perfeito para se inspirar e, finalmente, transformar seus personagens imaginários em um livro. Lagoana é uma cidade nebulosa, úmida, habitada por almas quietas e pouco amigáveis. Porém, o clima obscuro não despertará somente a criatividade, mas também acordará seus fantasmas mais profundos.
Prestes a perder o controle sobre sua trama e sua mente, Verônica conhece um estrangeiro de sorriso cafajeste e olhos azuis e, desconfiada de suas intenções, ela guarda segredo quanto ao seu livro, mas não sabe que Liam também tem os seus.
Verônica nem desconfia, mas eles podem ser a chave para os mistérios que a rondaram durante toda sua vida. Assim, o lago negro de sua imaginação será, definitivamente, o estopim para toda sua loucura emergir. O que será que ele esconde no fundo de suas águas escuras?

Resenha

Tive a alegria de ler O Lago Negro através do Book Tour organizado pela própria autora, Juliana Daglio, a quem agradeço por acolher minha participação.

Narrado em primeira pessoa, n'O Lago Negro conhecemos Verônica Cattani, uma jovem que acaba de se mudar com o namorado Enzo para a cidade de Lagoana, no interior paulista. Ambos iniciarão suas vidas universitárias na Universidade Federal Interiorana de Lagoana (UFI) e morarão juntos pela primeira vez.

Logo nas primeiras páginas, notamos que Verônica não leva uma vida comum. Ela se sente constantemente no limite de suas emoções e precisa, muitas vezes, recorrer a medicamentos psicotrópicos para se controlar. Impulsiva, desconfiada e irritadiça, não é exatamente alguém com muitos amigos. O problema é que Lagoana não parece ajudá-la. O lugar é mórbido, úmido e suas densas nuvens nunca permitem que o sol as penetre. Será que Verônica deveria mesmo estar nessa cidade?

Resenha 143 | Reflexo

em 11.4.16 22 comentários
Título: Reflexo – Te amo, Te odeio com a mesma intensidade
Autora: Ias Guinossi
Publicação independente: Amazon | 2015 | 370 páginas
Sinopse: "Jonathan era perfeito. Perfeito para mim. Mas eu amava o Adrian... E, por mais que me esforçasse, não conseguia olhar para o Jonathan e não vê-lo senão como uma cópia, a versão de como eu queria que o irmão dele fosse." — Nicoly V.
Toda garota já teve um grande amor. E toda garota também já se decepcionou e encontrou outro amor. Mas Nicoly convive de forma insólita com isso. Depois de anos de tratamento, o sentimento de perda acaba desencadeando um adormecido e mal curado transtorno de personalidade.
Seu coração não disputa apenas o amor de um homem, ele é disputado por duas personalidades que sua mente manifesta. Como Nicoly enfrentará esse dilema, com a mente revolta e indefinida? Enfim de quem será o seu coração?
Seu caminho será certamente permeado por desafios que superam a nossa imaginação. Mas quantos desafios ela terá que superar? Será que resistirá à dor e sairá feliz dessa história?
Atração, desejo, dinheiro, romance, tormento... — um clichê romântico e triste que prenderá a sua atenção, leitor.

Resenha
[Literatura +18 por conter cenas eróticas]

Conheci Reflexo quando a Ias Guinossi procurava apoio para sua publicação através do Catarse [veja nossa divulgação]. Interessei-me bastante por esse romance ao ler sua sinopse e ver o carinho dos leitores pela autora, reconhecida no Wattpad. Carinhosamente, ela me cedeu um exemplar e sinto-me feliz em vir apresentar minha opinião para vocês.

Nesse romance conhecemos Nicolly, uma jovem mulher que sofre de Transtorno Dissociativo de Personalidade, anteriormente denominado Transtorno de Múltipla Personalidade (popularmente conhecido como Dupla Personalidade). Enfim, o fato é que Nicolly apresenta outra personalidade e sua condição estava sob controle depois do longo acompanhamento psiquiátrico e medicamentoso. No entanto, quando Nicolly decide ser independente e morar sozinha noutra cidade, os sintomas voltam a aparecer.

Ao mesmo tempo, Nicolly conhece Adrian. Ela, que geralmente prefere os morenos, se sente atraída por seus fios loiros e olhos claros. Há algo nele que a faz desejar conhecê-lo. Talvez seja seu olhar frio e dominador, sua atitude imprevisível, seu jeito arrogante e autoritário. Adrian parece um ímã que faz Nicolly se esforçar para manter-se próxima. O problema é que, quanto mais próxima Nicolly está, mais distante parece que Adrian faz questão de se manter.

Resenha 136 | Sedução no Convento

em 9.3.16 20 comentários
Título: Sedução no Convento
Autor: Jacques Lagôa
Editora: Companhia Editora Nacional | 2015 | 168 páginas
Sinopse: Dois corpos cedem ao prazer, duas almas cedem ao amor.
Este livro narra a trajetória de Marcel, um homem bonito, atraente e cheio de vigor. Na França, ele descobre sua sexualidade ao lado de Collete, uma noviça do convento onde ele servia como empregado.
Marcel e Collete não deveriam ficar juntos, mas todas as dificuldades deste improvável romance são vencidas pela coragem que apenas a junventude pode dar aos amantes. Apaixonados e tomados pelo desejo, o casal não mede esforços para cultivar o amor que os une. A vida, no entanto, parece ter outros planos para os dois...


Resenha
[Romance erótico: Literatura +18]

A princípio, dois fatores me atraíram em relação a esse livro: 1) o título, que claramente aborda um relacionamento proibido; 2) e o fato de ser um homem a escrevê-lo, considerando que seu gênero é romance erótico.

Logo nas primeiras páginas, encantei-me com a narrativa direta e objetiva – embora bastante masculina e sexualizada. O protagonista, Marcel, é um senhor de 55 anos de idade. Ele narra com saudosismo as experiências vividas, celebrando os bons momentos compartilhados com pessoas queridas. Os capítulos se alternam entre o passado de Marcel, quando ainda era jovem, e seu presente – enquanto revive suas próprias memórias.

Entendemos que Marcel é órfão desde criança, e passou a ser educado pelas caridosas freiras de um convento em Saint-Malo (França). Conforme os anos se passaram, Marcel assumiu responsabilidades no convento numa tentativa de retribuir os cuidados recebidos e, nesse processo, naturalmente se tornou um rapaz forte. Com a juventude, outros interesses surgiram. A puberdade fez Marcel observar uma das noviças de outro modo... Colette era jovem, bela, esbelta e gentil. Ela estava sendo educada para, em breve, assumir os votos perpétuos de castidade. 


Resenha 134 | Segredos de um Namoro Fajuto

em 1.3.16 26 comentários
Autora: Taty Lima
Título: Segredos de um Namoro Fajuto
Publicação independente | 2015 | 296 páginas
Sinopse: Depois de ser passado para trás diversas vezes por pessoas que ele jugava poder confiar, Pedro resolve dar o troco apresentando sua colega de AP como sua namorada para os amigos, e todos aqueles que o tem como um fracasso de pessoa.
O problema é que ela não faz ideia que está fazendo parte de uma bola de neve feita de mentiras, vivenciando situações um tanto quanto constrangedoras e que jamais imaginou ter de passar. Mas quando ela descobre a verdade, se vê obrigada a colaborar, pois sua própria família acaba descobrindo o “namoro” e ficam felizes por saberem que sua filha mais velha não é encalhada.


Resenha
[Literatura +18 por conter cenas eróticas] 

Sabe aquele romance no qual tudo o que acontece parece inesperado? Pois é, foi como me senti ao ler Segredos de um Namoro Fajuto. Quando achava que determinada cena era relevante para o desenvolvimento do relacionamento entre o casal protagonista, de repente, a autora me jogava um balde de água fria.

Narrado em primeira pessoa (na maioria das vezes pelo nosso mocinho), nesse romance conhecemos Pedro, um jovem de 24 anos que se sente um fracassado. A verdade é que Pedro é o típico rapaz que evita conflitos: com os amigos, com as namoradas, com os pais e consigo mesmo. Ele é desastrado e incapaz de defender sua própria dignidade. Para piorar, sua vida profissional é uma porcaria e recentemente Pedro descobriu ter sido traído pela namorada – e com o seu melhor amigo.

A perda pode ensinar muito, mas nunca será o melhor sentimento.

Resenha 133 | Acima de Nós

em 25.2.16 25 comentários
Título: Acima de Nós
Autora: Tais Cortez
Editora: Ágape | 2015 | 302 páginas
Sinopse: Laura e Rafael não poderiam ser mais diferentes. Ele nasceu em uma das famílias mais ricas da cidade de Catalina, e sempre teve tudo o que quis. Já ela é de origem humilde, e seu grande sonho é conseguir uma vida melhor. Mais do que isso, a visão que ambos têm de Deus é oposta: Laura o vê como um Deus de amor, enquanto Rafael não entende como Ele pode permitir que tantas coisas ruins aconteçam, incluindo uma tragédia que o assombra. Quando o comportamento dele começa a preocupar seus pais, ele é forçado a encontrar um emprego. A partir daí, esses jovens se encontram e a vida deles nunca mais será a mesma. Ela estava ocupada demais para se apaixonar, e ele sequer sabia que era capaz de sentir algo assim, mas, quando os planos de Deus são traçados, estão sempre acima de nós.

Resenha

Tais Cortez é uma das melhores autoras que conheço, e não é segredo a ninguém que a admiro muito. Acima de Nós é seu terceiro romance e sinto-me feliz por poder dizer que li todos os seus livros até hoje publicados. Esse, no entanto, é especial.

Narrado em terceira pessoa, Acima de Nós apresenta Laura, uma jovem que enfrenta as dificuldades de sua má condição financeira. Sua mãe faleceu de câncer e seu pai, pouco tempo depois, morreu em um acidente. Laura passou a morar com a tia e sua prima, mas para ajudar nas despesas da casa precisou largar os estudos antes de completar o Ensino Médio. Seu sonho é voltar a estudar para ter melhores oportunidades. Laura é dedicada, esforçada e comprometida. Sua boa índole também se mantém por seus valores cristãos. Laura é evangélica e vai à Igreja constantemente. Em seu tempo livre, realiza trabalhos voluntários. É a personificação da bondade.
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