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Crônica 2 | O Gigolô das Palavras

em 2.12.13 5 comentários
Que
tal começar a semana lendo uma crônica do Luís Fernando Veríssimo?

Conheci-a na especialização em Assessoria Linguística e adorei! Com humor, o autor nos dá verdadeira lição do que realmente importa na comunicação escrita ou verbal: entender-se com o outro.

O Gigolô das Palavras

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava um gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa (“Culpa da revisão! Culpa da revisão!”). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.

Crônica 1 | O Milagre das Folhas

em 8.11.13 6 comentários
Na
ocasião em que participei de uma Oficina de Crônicas, ministrada por Elyandria Silva, conheci uma crônica apaixonante que compartilho com vocês.

Esta crônica, de Clarice Lispector, carrega a doçura que a vida nos apresenta com suas pequenas expressões de reconhecimento da nossa existência.

Espero que gostem e se emocionem, assim como aconteceu comigo ao lê-la.(●´∀`)ノ♡


O Milagre das Folhas

Não, nunca me acontecem milagres. Ouço falar, e às vezes isso me basta como esperança. Mas também me revolta: por que não a mim? Por que são de ouvir falar? Pois já cheguei a ouvir conversas assim, sobre milagres: “Avisou-me que, ao ser dita determinada palavra, um objeto de estimação se quebraria.” Meus objetos se quebram banalmente e pelas mãos das empregadas. Até que fui obrigada a chegar à conclusão de que sou daqueles que rolam pedras durante séculos, e não daqueles para os quais os seixos já vêm prontos, polidos e brancos. Bem que tenho visões fugitivas antes de adormecer - seria milagre? Mas já me foi tranquilamente explicado que isso até nome tem: cidetismo, capacidade de projetar no campo alucinatório as imagens inconscientes.

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