Título: Chamado das Sombras – Livro 1
Autor [parceiro]: Matheus Marx
Editora: Novo Século (Selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, 2012, 320 páginas)
Sinopse: Misteriosamente, a Princesa Eleanor desaparece sem deixar vestígios, e ninguém é capaz de explicar seu paradeiro. Numa busca extensa e persistente por sua amada, o Príncipe Carmanni luta por respostas que não parecem estar ao seu alcance, e ao longo de sua jornada insistente e obscura, sempre que ele parece se aproximar da verdade, sombras fúnebres surgem. Cada parte desvendada do enigma leva a ainda mais mistérios sombrios, e ao desvendar o sumiço misterioso de Eleanor, ele verá que há coisas muito maiores, perigosas e assustadoras se escondendo por trás das sombras que escurecem seu caminho até a verdade. Horrores apavorantes esgueiram-se em seu caminho, e o Príncipe descobrirá que não só a sua vida está em perigo – mas a de todos à sua volta. Não apenas uma estória sobre amores perdidos, Chamado Das Sombras faz pensar sobre desejos, insanidade, confiança, morte e, acima de tudo, sobre as dores do amor – afinal, só o mais belo dos sentimentos é capaz de causar tão extremo sofrimento.
Trinta páginas. Apenas trinta páginas foram suficientes para saber que este seria um dos melhores livros que leria. Matheus Marx é um autor com uma narrativa maravilhosa, lírica e metafórica. Sendo este o seu primeiro livro, reconheço o seu enorme talento.
Chamado das Sombras é um livro sombrio... A despeito do trocadilho, não encontro melhor termo para denominá-lo. Com uma narrativa em terceira pessoa, conhecemos o Príncipe Carmanni, que desfrutava do Baile Real junto à sua amada noiva, Princesa Eleanor. Em meio aos deslumbrantes detalhes do contexto, notamos quão intenso era o amor deste casal. Sofri junto do Príncipe Carmanni quando, no Baile Real, repentinamente sua princesa desapareceu. A graciosa máscara da Princesa Eleanor, encontrada quebrada no chão, foi como o prenúncio de uma enorme desgraça.
A partir daqui, o livro se torna repleto de mistérios. O Príncipe Carmanni, incapaz de aceitar que sua amada noiva sumisse daquela maneira, manteve a esperança de reencontrá-la, mas no seu íntimo – devido aos anos que se passaram sem nenhum vestígio do seu paradeiro – sabe que Eleanor pode estar morta. Em seu desejo por respostas, procurava por Argaio – o profeta do reino – para obter qualquer mínima pista que o levasse a algum lugar além da impotência. Eu gostei muito do Argaio, pois me lembrava o Gato de Cheshire (de Alice no País das Maravilhas) com seus enigmas e incomum personalidade.
– (...) É preciso coragem para se tomar diversas decisões, muitas vezes é preciso loucura para se ter coragem. (p. 29)
Depois de anos sem nada oferecer, Argaio finalmente tem uma premonição! Embora imprecisa, o profeta enxerga o vilarejo de Cogumelo Venenoso no destino do Príncipe Carmanni. Sem hesitar, disposto a saber se sua amada ainda estaria viva e precisando dele, o Príncipe Carmanni parte em uma jornada perigosa. Aqui destaco a incrível capacidade do autor em descrever paisagens e personagens de tal modo que podemos nos sentir íntimos da história! Vi-me cavalgando junto ao personagem em meio à floresta que guardava em suas entranhas, formadas de árvores distorcidas, perigos jamais vistos!