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[Resenha 157] A diaba e sua filha

em 9.2.17 26 comentários
Título: A diaba e sua filha
Autora: Marie NDiaye
Editora: Cosac Naify | 2011 | 40 páginas
Sinopse: A atmosfera noturna dá à história da autora franco-senegalesa Marie NDiaye um caráter sombrio e misterioso. O sincretismo de NDiaye ecoa em seu texto, mescla de metáforas dos contos de fada tradicionais e de elementos da literatura africana. No livro, uma diaba sai todas as noites da floresta à procura de sua filha que desapareceu misteriosamente, junto com a casa onde moravam. Foi quando a diaba percebeu também que seus delicados pés haviam se transformado em cascos de cabra – deformidade que causa repulsa nas pessoas. A ambiguidade da personagem – alegoria da noite –, de face graciosa, olhos doces, mas com cascos no lugar dos pés, suscita no leitor alguma hesitação e muitos questionamentos. Um livro enigmático que nos convida a refletir sobre como o afeto é capaz de humanizar até a aparentemente mais aterrorizante criatura e sobre a importância de se respeitar as diferenças, visíveis e invisíveis.

“NDiaye escreve sobre os nossos medos e o modo como eles são colectivamente construídos. Escreve sobre a necessidade de classificarmos os outros e os arrumarmos em bons e maus, em anjos e monstros.” (Mia Couto)

Resenha

– Alguém sabe onde está minha filha?

A diaba e sua filha me atraiu inicialmente pelo título, depois a sinopse cumpriu o objetivo e acabou por me incentivar a adquirir essa leitura. Até então não tive contato com a literatura africana, algo que pretendo mudar depois dessa bela experiência.

Com uma narrativa melancólica, somos apresentados a uma jovem que não se lembra quem foi ou onde mora. Ela apenas carrega uma certeza: é mãe de uma menina, de quem desconhece o paradeiro. Conforme anda pelas ruas, seus passos ecoam: clique-claque, clique-claque, clique-claque...

Ela não é capaz de dizer desde quando seus pés se tornaram parecidos com pequenos cascos de cabra, com uma acentuada fenda. No véu de suas lembranças sabe que nem sempre foi assim. Um dia, seus pés foram normais.

Ela bate de porta em porta e pergunta a quem lhe atende: 

– Onde está minha filha?

[Resenha 156] Noah Stalder

em 7.2.17 30 comentários
Título: Noah Stalder
Autor: Cesar Ferraz
Editora: Multifoco | 2014 | 342 páginas
Sinopse: Homem e máquina. Este é o mundo hoje. Mas o que aconteceria se um tomasse o controle? Se as máquinas criassem consciência e o homem deixasse de ser importante? O jovem Noah Stalder vive neste inconcebível mundo e nos convida a embarcar em uma aventura em que tudo está em jogo: sua família, amigos e até mesmo seu passado. Durante sua jornada ele torna-se um adulto e aprende a lidar com perdas e a se responsabilizar por seus atos e as consequências a eles atreladas. Noah Stalder é mais que um livro infantojuvenil, é uma possibilidade de retorno à adolescência e ao caminho que leva à vida adulta.



Resenha

Noah Stalder é uma leitura memorável! Distinto do que vemos no mercado literário, o autor Cesar Ferraz não hesitou ao criar um cenário que equilibra ficção científica e fantasia, com um quê distópico! Ele ousou trazer elementos de ambos os gêneros e enriquecer a narrativa, de alta qualidade, com reviravoltas inesperadas.

Representação da redoma segundo o autor.
Noah é um habitante de Leekompur, lugar bastante avançado tecnologicamente e protegido por uma redoma que evita o contato da população com a radiação externa. Nesse lugar, o conhecimento é a verdadeira ambição, pois foi através da ciência que puderam sobreviver e criar a redoma.

...vivíamos em uma época onde todas as pessoas que conheciam mais a fundo as ciências eram consideradas nobres. Nossa existência, ameaçada à extinção, dependia fundamentalmente de todo o conhecimento científico remanescente para a preservação de nossa espécie.

De todos os assuntos que poderiam atrair a atenção de Noah, um particularmente lhe era mais curioso: andróides eletromenchs. Meio humanos, meio robôs, essa é uma tecnologia pertencente à Velha Era, cujos relatos só sobraram nas aulas de História dos Antepassados.

[Resenha 154] O Mythos: o fim do mundo é logo ali

em 16.12.16 24 comentários
Título: O Mythos – O fim do mundo é logo ali
Autor: M. R. Terci
Publicação independente: Amazon | 2016 | 285 páginas
Sinopse: "Os gringos tiraram as divindades do próprio quintal e trouxeram seus ídolos, seus mártires crucificados, seus santos imolados, seus caras orelhudos e seus lances de macumba para dentro dos santuários e dos locais de adoração e poder dos Antigos Deuses Brasileiros. Essa terra já foi Deles e, pelo visto, voltou a ser."

Tudo começou com sangue e, assim, deve terminar.
O detetive P. Pastore, vulgo Pastor, é um profissional de reputação duvidosa, conhecido por trabalhar para gente da pior espécie na Cidade Baixa. Quem o conhece de perto, sabe que o melhor a fazer é se afastar, sair do caminho desse toxicomaníaco sem esperanças a meio caminho do suicídio. Dizem, que o sujeito vê, ouve e sente coisas que só coabitam os limites de sua delirante percepção.
Quando uma misteriosa funcionária da embaixada russa contrata Pastore para encontrar sua protegida, a filha do embaixador, tudo muda. Para pior. Seguindo suas pistas, numa infindável trama mitológica, o detetive enlouquece de vez e executa a garota na Baía das Águas Claras.
Preso em flagrante, Pastore é conduzido ao Distrito Amarelo.
Agora ele tem apenas uma noite para convencer os investigadores de que o melhor que todos têm a fazer é encomendar a alma a Deus e jogar roleta russa na sala de interrogatórios.

Uma visão contemporânea e insanamente desapiedada sobre a mitologia desenvolvida por Monteiro Lobato. Uma história negra, com um crescendo de loucura e perversidade que conduzem o leitor ao clímax diabolicamente inusitado.
Bem-vindos a esta viagem alucinante às raízes folclore brasileiro, numa dramática infusão da beberagem do horror cósmico com 100% malte de divindades brasileiras.
O Mythos é recomendado para os doentes da razão e os degenerados do espírito. LEIA SEM MODERAÇÃO. Persistindo os sintomas, um xamã devera ser consultado.

Resenha
[literatura +18 por conter violência explícita]

Há enredos inovadores, ousados e envolventes. Mas nunca conheci nenhum que sequer se aproximasse desse. O Mythos – O fim do mundo é logo ali está além de qualquer imaginação, com exceção da criatividade singular de seu autor.

Nosso protagonista não é jovem. Sua experiência já se revela em um corpo físico cansado, mas duro na queda. Pastore é seu sobrenome, vulgarmente chamado de Pastor. Logo no início percebemos que o povo o odeia, a polícia também. Ele acaba de ser detido e prestará depoimento. Está sendo acusado de ser o sanguinário Homem de Palha, assassino que gosta de estripar suas vítimas.

Pastore não é santo, logo notamos.
Mas ele também não costuma levar crédito pelo que não fez.

Ele não é o Homem de Palha. O problema é que sua ficha está longe de ser limpa. E, claro, ele é um poço de informação para a polícia. Pastore é um ex-militar que atua, agora, como detetive. Mas nem tudo o que diz faz sentido.

Calma, eu explico: Pastore carrega um dom (ou talvez uma maldição). Ele vê fantasmas. Os espíritos descarnados não são belos, tampouco permanecem eloquentes quando presos no mundo dos vivos. Logo, Pastore leva uma vida de grande dificuldade.

Com esse dom, resolve casos complexos. Igualmente, no entanto, acaba por se envolver em situações bizarras. E isso nos leva ao enredo de O Mythos.

Resenha 153 | A Deusa de Anília e Outras Histórias

em 22.11.16 17 comentários
Título: A Deusa de Anília e Outras Histórias
Editora: Litteris | 2015 | 184 páginas
Autora: Cláudia Miqueloti
Sinopse:
A Deusa de Anília
Um terrível dragão aterroriza a ilha. Krisna Rimeriano precisará de toda sua determinação e coragem para salvar sua amada ilha e conquistar o coração do valente Negro.

A Maldição de Gohran
A cidadela de Manarga vive sob uma maldição imposta pelo temível dragão Gohran. O jovem Menetto e seus companheiros precisam ser bem sucedidos para que Manarga não desapareça.

Mielim e a Harpa Encantada
A harpa dourada foi roubada, debaixo das orelhas pontudas dos Elfos de Lothuen. Bravos guerreiros saíram no encalço do ladrão.

O inferno de Razhenda
O Reino de Razhenda foi devastado por Cormedhor de Austrúcia, um mago ensandecido, que vem se utilizando de seres humanos como cobaias para suas experiências cruéis.

Tremaría e o Gigante da Montanha de Gelo
Uma terrível e monumental criatura, está aterrorizando os viajantes que precisam cruzar a Montanha do Vento Cortante. Kági, Dovan, Armando, Sáfio Liso e a doce barda Jocelyn precisam urgentemente de um trabalho, pois seus bolsos estão vazios.

Resenha

Adoro contos! Por isso, logo que soube de A Deusa de Anília e Outras Histórias, desejei prestigiar o talento da autora Cláudia Miqueloti. Não me arrependi, essa é uma ótima leitura!

A obra apresenta cinco contos, todos de gênero fantasia e envolvendo aventuras épicas. Dou destaque à qualidade da narrativa, pois a autora foi cuidadosa com os detalhes e procurou oferecer ao leitor uma experiência de imersão no contexto criado. Ela não escorregou para a nossa realidade. Cuidou até mesmo para que os nomes dos personagens fossem diferentes do que concebemos como normais. A alimentação, as vestes, a cultura, o aspecto físico, a mitologia... foram planejados pela autora. Em cada conto conhecemos um povo, uma sociedade, diferente. Acho isso fundamental para quem se aventura a escrever fantasia. Levar o leitor para outro universo só é possível quando este se faz verossímil. Cláudia Miqueloti sabe disso como ninguém.

O período histórico dos contos pode ser interpretado como a Era Medieval. As armas e os meios para a sobrevivência são próprios dessa época. Mas a fantasia existe na ausência de conceitos que regem esse período, como paganismo, cristianismo ou monarquia. Achei ótimo a autora não mencionar nenhum desses conceitos e inovar ao criar, em cada conto, um novo contexto.

Resenha 152 | Alice Black – Princesinha do Inferno

em 16.11.16 14 comentários
Título: Alice Black – Princesinha do Inferno
Autores: Carlos Henrique Abbud e Flávia Gonçalves
Editora: Autografia | 2015 | 320 páginas

Sinopse: Alice é roadie da Mell's Angels, uma banda de rock iniciante, cuja estrela é sua irmã mais velha. Humilhada constantemente pelos integrantes, sua situação piora quando descobre que eles venderam sua alma em troca de sucesso imediato. Lançada no submundo, enquanto a banda desponta para o estrelato, Alice inicia uma louca jornada através dos perigos, descobertas, desafios, e – por que não? – encantos de um inferno totalmente rock and roll, governado por um Príncipe das Trevas que talvez nem seja tão terrível assim...



Resenha

Alice Black merece estar na capa. O que essa protagonista viveu na Terra e, depois, nas profundezas do inferno foi digno de nota. Gosto de personagens que são leais não às pessoas, mas a si mesmos; que não traem seus próprios sentimentos; que, mesmo na loucura, se agarram às suas crenças porque são incapazes de simplesmente aceitar a verdade do outro. Alice é assim. Mas isso não quer dizer que seja destemida, ou decidida, ou até mesmo perspicaz. Na verdade, muitas vezes quis gritar com ela para que deixasse de ser ingênua.

Quando um romance me desperta sentimentos ambíguos, me faz desejar entrar na história para mudar o rumo dos acontecimentos e interagir com seus personagens, assumo ter feito uma ótima leitura. Não esperava menos dos autores Carlos Henrique Abbud e Flávia Gonçalves. Interessei-me por Alice Black – Princesinha do Inferno justamente por sua qualidade anticlichê.

Vamos ao enredo:

Alice é uma jovem que vive à sombra, literalmente, como roadie da banda de rock Mell's Angels. Sua irmã mais velha, Melissa, é a vocalista. A banda não faz grande sucesso, mas já está (aos poucos) se lançando em alguns shows noturnos. Alice não se importa de estar atrás do palco, carregando caixas de som, preparando instrumentos, garantindo garrafas d'água e tudo o mais que a banda precisar, mas há algo que a incomoda profundamente: a constante falta de respeito e reconhecimento

Resenha 151 | Reconstruções

em 19.9.16 19 comentários
Título: Reconstruções
Autor: Natanael Otávio
Publicação independente | 2016 | 105 páginas
Sinopse: Reconstruções é uma coletânea de contos e poesias escritos ao longo de 15 anos que, apesar do distanciamento de tempo e da diferença de gêneros, se aproximam pela temática ao apresentarem com sensibilidade os percalços dos relacionamentos humanos e a autodescoberta que eles envolvem.

Enquanto cumpria a minha jornada, aprendi com as manipulações sofridas pela vida e me transformei no que sou.
– Memórias da Fazenda Vargas

Pode-se observar, também, embora mais presente na poesia, um jogo de luz e sombra – uma disputa constante entre a claridade e a escuridão – no livro de estreia de Natanael Otávio.

Eu desço do automóvel / E, num segundo, é como se ele / Nunca tivesse existido. / Apenas o seu farol.
(...)
Olho o horizonte. / Nada vejo além de névoa e noite. / Mas, ao meu lado, / Um farolete de lata e vela.
– Faróis

Resenha

Foi com alegria que conheci o talento de Natanael Otávio ao ler seu conto Alanis D. e o Esmerilhão, publicado na Amazon. Sua narrativa me encantou profundamente e, desde então, estava certa de que devia acompanhar a trajetória desse autor.

Reconstruções é sua primeira publicação impressa, uma coletânea que se divide em duas partes: Prosa e Poesia. A leitura flui agilmente, mantendo o envolvimento do leitor sem qualquer esforço. Isso porque Natanael consegue nos embalar no ritmo de suas palavras, com um equilíbrio que rende agradáveis sentimentos e reflexões.

O primeiro conto, intitulado De volta a "Neverland", nos faz sentir no interior de uma família simples. É um dia chuvoso, daqueles em que não convém sair de casa. O pai é agricultor e, para evitar o ócio, se ocupa com a marcenaria. A mãe também está envolvida com a costura. O único filho do casal se sente entediado, deixado de lado. Ele quer ajudar, mas sua presença é descartada. A criança só vai atrapalhar. Natanael conseguiu transformar uma rotina comum, daquelas que provavelmente todos já viveram ou presenciaram, em algo profundamente sensível. Isso porque... Ah, não posso dizer (rs). Vocês terão que ler para conferir, mas a bela metáfora presente neste conto é um convite para ler a obra completa. Foi um ótimo início!

Resenha 150 | Os Santos de Colditz – Temporada I

em 9.9.16 21 comentários
Título: Os Santos de Colditz – Temporada I
Autor: M. R. Terci
Publicação independente: Amazon | 2016 | 351 páginas
Sinopse: "Era uma época escura. Muito mais tenebrosa do que os dias atuais." 

Conheçam o capitão-aviador Garcia e o cabo Franco, soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial e que acabaram em um campo de prisioneiros de guerra conhecido como Colditz, no leste da Alemanha. Dentro em breve, neste castelo gótico, enredado em mistérios e pesadelos os soldados descobrirão que os horrores perpetrados por seus algozes, a SS nazista, são mera sombra perto do que está por vir.


Resenha
[Atenção: literatura +18 por conteúdo violento]

Escrever essa resenha é um desafio, porque qualquer palavra provavelmente não estará à altura de Os Santos de Colditz! Irreverente, provocativo, emocionante, envolvente, assustador... Uau. Perco o fôlego só de lembrar seu enredo e cenário. M. R. Terci foi além do que imaginava, levou-me direto para a II Guerra Mundial e me lançou para o interior de uma cela desoladora em um Oflag, ou seja, um campo nazista destinado a oficiais prisioneiros de guerra!

Com genialidade, no frio Castelo de Colditz, o autor nos apresenta vários protagonistas

A princípio conhecemos o capitão-aviador Garcia e o cabo Franco, ambos brasileiros. Eles se conheceram no Oflag, pois não faziam parte da mesma companhia. É claro que se unem com o comum interesse de permanecerem vivos, mas a confiança entre ambos é tão instável quanto sua esperança de saírem de Colditz.

Fé. Como manter a fé em um lugar como Colditz?
Os prisioneiros nutrem-se de sonhos e lembranças. Faz muito tempo desde que o capitão-aviador Luís Natanael Garcia sonhou com algo bom. Somente pesadelos visitam os catres de Colditz.

Resenha 149 | As Exéquias – O Bairro da Cripta, Tomo III

em 19.8.16 22 comentários
Título: As Exéquias | Série O Bairro da Cripta, Tomo III
Autor: M. R. Terci
Editora: LP-Books | 2016 | 290 páginas
Sinopse: Terceiro livro da série que está conquistando os leitores mais exigentes em todo o Brasil.

M. R. Terci é escritor, roteirista e poeta. Antes de se dedicar exclusivamente a escrita, foi advogado com especialização em Direito do Trabalho e Direito Internacional. Começou a carreira de escritor em 2004, escreveu centenas de contos e recebeu vários prêmios por suas participações em antologias e concursos de poesia.
Sua escrita tem como característica a pesquisa histórica, primando sempre pela composição poética de cada parágrafo penejado. Com base em fatos históricos, o escritor substitui os castelos medievais pelos casarões coloniais, as aldeias de camponeses pelas cidadezinhas do interior, os condes pelos coronéis e as superstições por elementos de nosso folclore e crendices populares, verdadeira transposição do gótico para a realidade brasileira.
Seus livros não são apenas para os fãs do gênero horror. Seu penejar é para quem aprecia uma narrativa envolvente, centrada na experiência subjetiva dos personagens mediante as possibilidades que o contexto sobrenatural de suas estórias permite.
É o criador da série O Bairro da Cripta, composta por contos de terror que colocam os clássicos do terror universal sob o lume dos lampiões de querosene dos sertões paulistanos do século XIX. Os três volumes iniciais da pentalogia, Elegias, Epitáfios e Exéquias, foram publicados pela Editora LP-Books, respectivamente em outubro de 2014, maio de 2015 e junho de 2016. Seguirão, ainda, os Epicédios e as Endechas do Bairro da Cripta.

Fantasmas, vampiros e lobisomens circunvagam, famintos, os anais fantasiosos e imponderáveis de um bairro da cidade de Tebraria, cujas casas se confundem, sobremaneira, com os túmulos e mausoléus do arcaico cemitério da localidade. Neste lugar assombrado, entre seus habitantes não se distinguem os vivos dos mortos, ao ponto de se considerar o coveiro, o prefeito honorário daquele imenso e mal afamado lugar.
Chamam-no o Bairro da Cripta.

Resenha

Não é segredo para ninguém que sou fã do autor M. R. Terci. Seu talento narrativo se destaca em qualidade, criatividade e ousadia, além de elevar o nível do horror nacional ao relacionar ficção e pesquisa histórica.

Imaginem como me senti ao concluir a leitura de As Exéquias, o terceiro volume da série O Bairro da Cripta e, mais uma vez, adicionar algo de M. R. Terci entre meus favoritos! Esta foi uma das melhores antologias que já li na vida, surpreendente e envolvente em níveis extremos.

Aos que não sabem, O Bairro da Cripta é uma série de gênero horror. Cada volume desta série apresenta contos ambientados no século XIX e primeira metade do século XX, contextualizados na cidade fictícia de Tebraria, no interior paulista. Com vocabulário de ímpar qualidade, o autor dá vida ao sobrenatural sem qualquer clichê. O mais especial? Os contos apresentam personagens que ora são protagonistas, ora são coadjuvantes, de modo que podemos revê-los entre uma antologia e outra.


O
primeiro conto, O Templo do Inseto, faz tremer até o coração mais valente. Nele conhecemos Calídice... Calídice de lábios doces e pele macia, Calídice de sussurros suaves e olhar ousado, Calídice das promessas sombrias.

Resenha 148 | Enigma – Mundo Interdito

em 18.8.16 19 comentários
Título: Enigma – Mundo Interdito | volume 1
Autora: Rita Pinheiro
Editora: Baraúna | 2014 | 298 páginas
Sinopse: 'Enigma' é uma história cheia de amor, magia e acrescentada por seres extraterrestres e mundos paralelos. A intenção da autora é que Enigma proporcione aos seus leitores uma viagem ao um mundo de fantasias, na qual os leve a refletir sobre alguns assuntos da vida real, como a importância de amar as pessoas e preservar a natureza.

— Meu povo gosta de dinheiro, carros, roupas, sapatos e outras coisas que até agora não vi aqui — retrucou ele com cara de deboche.
— Sim, mas temos muitas montanhas de pedras que vocês consideram valiosas para fins diferentes dos nossos, mas aqui elas são preciosas para nos fortalecerem como pessoas.
— Então o bem mais precioso de vocês é o ouro e outras preciosidades, não são muito diferentes de nós — concluiu ele.
— Não, Narciso, nosso bem mais precioso é o amor, sem ele não saberíamos aproveitar o poder da natureza, nem poderíamos nos desenvolver como seres humanos, nossas vidas seriam vazias e sem sentido. O amor é a única coisa que não pode faltar aqui, é o nosso alimento diário, o ar que respiramos é a base de tudo.

Resenha

Tive a oportunidade de ler Enigma – Mundo Interdito através do Book Tour, organizado pela querida Viviana do blog  Devore um Livro e/ou Filme. Interessei-me por conhecer a obra pelo gênero fantasia utópica, pois gosto de imaginar que podemos construir uma sociedade justa, organizada, pacífica e capaz de usar os recursos naturais de modo ecologicamente correto.


Johnny é nosso protagonista, um jovem de 18 anos que se preocupa apenas em se divertir com os amigos de modo irresponsável. Suas festas são regadas a álcool e agitação. Nada têm realmente valor para ele. Então, numa dessas festas, Johnny descobre que um conhecido ganhou uma viagem à Flórida, mas seus pais não lhe permitiram ir. Querendo aproveitar essa chance de viajar para o exterior com tudo pago, Johnny se esforça para obter a passagem e fraudar sua identidade a fim de viajar no lugar deste conhecido. É claro que ele consegue e, sob mentiras, embarca para o voo que mudaria sua vida

Quando passava sobre o Triângulo das Bermudas, um acidente acontece e o avião começa a se "desintegrar". Desesperado, Johnny pula e acaba por cair no mar. Sendo o único sobrevivente, ele vai parar em uma ilha, um novo mundo desconhecido chamado Enigma. Ele é salvo por Hera, uma jovem que logo se preocupa com Johnny ao notar que ele perdeu a memória no acidente.

Resenha 147 | Operação Harém

em 15.6.16 25 comentários
Título: Operação Harém – O mundo secreto da prostituição de luxo
Autor: Tony Chastinet
Editora: Companhia Editora Nacional | 2015 | 344 páginas
Sinopse: Depois de ter o sonho de fazer dinheiro no exterior destruído, Ariane volta ao Brasil disposta a denunciar uma grande rede de prostituição de luxo e tráfico internacional de mulheres. É assim que começa Operação Harém, livro-reportagem do jornalista Tony Chastinet, que, instigado pelo anonimato da operação à época, foi buscar informações para encaixar as peças dessa brilhante investigação conduzida pela Polícia Federal e por agências de segurança internacionais. O leitor terá à mão os detalhes do esquema milionário e saberá um pouco mais da vida das mulheres que fazem o famoso book rosa. Mergulhará na grande rede da prostituição de luxo, onde não há limites para o poder e a ganância.

Resenha
por Bianca

Ano de 2009. A polícia federal investiga esquema internacional de prostituição de luxo. Uma quadrilha estava envolvida neste esquema, que foi denominado de Operação Harém pela PF. Os investigados aliciavam e exploravam modelos, atrizes, dançarinas de programas de TV e ex-integrantes de reality shows para prostituição. Os valores variavam de quatro a vinte mil reais por programa. O cenário? Hotéis luxuosos dentro ou fora do Brasil. Os clientes? Políticos, empresários, jogadores de futebol.

Onze pessoas chegaram a ser presas. De acordo com informações da Folha de São Paulo, em 2014 já respondiam em liberdade. A justiça brasileira entende que prostituição não é crime, e que as mulheres aliciadas pela quadrilha envolveram-se por vontade própria. Os nomes dos envolvidos, clientes e prostitutas são mantidos a sete chaves pela PF.

Infelizmente, tudo isso que relatei não é ficção. É um fato verídico e, se você nunca ouviu falar a respeito, explico o motivo: a mídia não fez muito alarde sobre a operação. Alguns jornalistas declararam que muitos políticos tentaram (e pelo jeito conseguiram) “abafar” o caso na mídia. Procurem agora mesmo sobre a operação no Google. Vou esperar.

Resenha 146 | Diabólicos

em 17.5.16 21 comentários
Título: Diabólicos
Autora: Natália Mussato
Editora: EX! Editora | 2016 | 50 páginas
Sinopse: Hiro precisa se ajustar, retomar o convívio social e reprimir seus instintos primários de ferir, livrar-se das lembranças demoníacas que assombram seu passado.
Erina faz de tudo para manter sob controle o demônio dentro de si, buscando no autoflagelo a cura para o mal que a habita.

Mas, quando dois demônios se encontram, anulam-se os receios e aflora o mal da cada um deles, reacendendo o descontrole de Hiro e fazendo aflorar o pior de Erina. Seria ele real ou apenas uma desculpa para fazer vir à tona seus sentimentos?

Seja qual for a resposta, já não há mais grades para detê-lo; as pessoas finalmente saberão como eles são diabólicos.

Resenha
[novela para +16 anos]

Eu já conhecia o talento da Natália Mussato, mas uau. Não estava preparada para um enredo tão anticonvencional e provocativo. Devorei-o com o deleite de quem sabe que peca, mas não consegue parar.  

Narrado em terceira pessoa, Diabólicos apresenta Hiro, um professor que está sob acompanhamento psiquiátrico por determinação legal. Ele não quer ser atendido por uma profissional que definitivamente não o entende, mas é obrigado a comparecer às sessões por ter se envolvido no suicídio de uma aluna. Entre ir para a cadeia e enfrentar uma psiquiatra que pensa ser capaz de mudá-lo, é óbvia qual foi a sua escolha.

No entanto, Hiro realmente precisa de tratamento. Ele possui algo dentro de si, encoberto nas sombras, que é difícil manter sob controle. Seu demônio interior gosta de causar dor. Aprecia o sangue, o sofrimento, as lágrimas, o desespero. Sua psiquiatra deu-lhe um rótulo: Hiro é um sádico.

Por outro lado, conhecemos Erina. Todos os dias, Erina sofre violência. É brutalmente espancada, maltratada, ignorada ou humilhada pelos seus pais. Ela se acostumou à dor, mas seus pensamentos estão cada vez mais sombrios. Sempre que seus pais agridem um ao outro, o demônio dentro dela sorri. Ela o sente agitar e sacudir as jaulas da sua consciência. Tem medo do que poderia fazer se, um dia, seu demônio se libertar.

Resenha 145 | O Céu é Logo Ali

em 7.5.16 12 comentários
Título: O Céu é Logo Ali
Autora: Lilian Farias
Editora: Divas | 2015 – 3ª edição | 115 páginas
Sinopse: "O céu é logo ali representa a liberdade que são as borboletas e nos pássaros. Dolores e Clarice são mulheres que buscam tal liberdade. Dolores é uma mulher de muitas experiências; de vida simples e sem amigos. O único amigo que possui é esquizofrênico e a trata com muito carinho. Clarice é cheia de mimos e sempre teve de tudo, mas o que as liga são suas tribulações de sentimentos e busca por liberdade. Dolores fica encantada com o mais simples dos gestos, um pingo de chuva sobre a pele faz dela a pessoa mais feliz e livre do mundo. Já Clarice tem a vida dos sonhos, porém o destino pode destruí-lo com rapidez. O livro da Lilian é profundo e tocante. Ele nos mostra que devemos aproveitar o momento porque tudo pode acabar em um piscar de olhos." (Fernanda Bezerra)

"Ao adentrarmos nos mundos distintos dessas duas jovens, mergulhamos numa profusa miscigenação de anseios, lutas, estratégias de sobrevivência. A história de duas mulheres que, unidas pelo destino, resolvem aflorar todo fluxo de sobrevivência do "ser", do corpo, da alma, da mente, que advém quando se é permitido ser livre. Liberdade, essa, assemelhada a quem saboreia o voo das borboletas." (Valéria Sabrina)

Resenha

Tive o prazer de ler O Céu é Logo Ali depois de ter o blog acolhido como parceiro da Lilian Farias. Já acompanhava o belo trabalho que a autora desenvolvia na defesa das minorias e, especialmente, das mulheres. Depois da leitura, só posso dizer que – mesmo com minhas altas expectativas – a narrativa dela conseguiu me encantar desde as primeiras páginas!

Poético, irreverente, provocativo, dialógico e inédito... É assim que defino O Céu é Logo Ali. O primeiro diferencial a ser destacado é o estilo narrativo. Conhecido como fluxo de consciência, a técnica adotada pela autora envolve desnudar a subjetividade dos seus personagens incluindo nas entrelinhas suas próprias impressões pessoais. Eu gostei muito de ampliar meu ponto de vista sobre os fatos a partir do agradável diálogo da autora com seus leitores.

Resenha 144 | O Lago Negro

em 1.5.16 19 comentários
Título: O Lago Negro
Autora: Juliana Daglio
Editora: Arwen | 2015 | 368 páginas
Sinopse: Verônica é uma garota problemática marcada por um passado traumático do qual mal se lembra, mas que lhe tirou o direito à total sanidade.
Ao se mudar para o interior, depois de passar no vestibular, ela se depara com o local perfeito para se inspirar e, finalmente, transformar seus personagens imaginários em um livro. Lagoana é uma cidade nebulosa, úmida, habitada por almas quietas e pouco amigáveis. Porém, o clima obscuro não despertará somente a criatividade, mas também acordará seus fantasmas mais profundos.
Prestes a perder o controle sobre sua trama e sua mente, Verônica conhece um estrangeiro de sorriso cafajeste e olhos azuis e, desconfiada de suas intenções, ela guarda segredo quanto ao seu livro, mas não sabe que Liam também tem os seus.
Verônica nem desconfia, mas eles podem ser a chave para os mistérios que a rondaram durante toda sua vida. Assim, o lago negro de sua imaginação será, definitivamente, o estopim para toda sua loucura emergir. O que será que ele esconde no fundo de suas águas escuras?

Resenha

Tive a alegria de ler O Lago Negro através do Book Tour organizado pela própria autora, Juliana Daglio, a quem agradeço por acolher minha participação.

Narrado em primeira pessoa, n'O Lago Negro conhecemos Verônica Cattani, uma jovem que acaba de se mudar com o namorado Enzo para a cidade de Lagoana, no interior paulista. Ambos iniciarão suas vidas universitárias na Universidade Federal Interiorana de Lagoana (UFI) e morarão juntos pela primeira vez.

Logo nas primeiras páginas, notamos que Verônica não leva uma vida comum. Ela se sente constantemente no limite de suas emoções e precisa, muitas vezes, recorrer a medicamentos psicotrópicos para se controlar. Impulsiva, desconfiada e irritadiça, não é exatamente alguém com muitos amigos. O problema é que Lagoana não parece ajudá-la. O lugar é mórbido, úmido e suas densas nuvens nunca permitem que o sol as penetre. Será que Verônica deveria mesmo estar nessa cidade?

Resenha 143 | Reflexo

em 11.4.16 22 comentários
Título: Reflexo – Te amo, Te odeio com a mesma intensidade
Autora: Ias Guinossi
Publicação independente: Amazon | 2015 | 370 páginas
Sinopse: "Jonathan era perfeito. Perfeito para mim. Mas eu amava o Adrian... E, por mais que me esforçasse, não conseguia olhar para o Jonathan e não vê-lo senão como uma cópia, a versão de como eu queria que o irmão dele fosse." — Nicoly V.
Toda garota já teve um grande amor. E toda garota também já se decepcionou e encontrou outro amor. Mas Nicoly convive de forma insólita com isso. Depois de anos de tratamento, o sentimento de perda acaba desencadeando um adormecido e mal curado transtorno de personalidade.
Seu coração não disputa apenas o amor de um homem, ele é disputado por duas personalidades que sua mente manifesta. Como Nicoly enfrentará esse dilema, com a mente revolta e indefinida? Enfim de quem será o seu coração?
Seu caminho será certamente permeado por desafios que superam a nossa imaginação. Mas quantos desafios ela terá que superar? Será que resistirá à dor e sairá feliz dessa história?
Atração, desejo, dinheiro, romance, tormento... — um clichê romântico e triste que prenderá a sua atenção, leitor.

Resenha
[Literatura +18 por conter cenas eróticas]

Conheci Reflexo quando a Ias Guinossi procurava apoio para sua publicação através do Catarse [veja nossa divulgação]. Interessei-me bastante por esse romance ao ler sua sinopse e ver o carinho dos leitores pela autora, reconhecida no Wattpad. Carinhosamente, ela me cedeu um exemplar e sinto-me feliz em vir apresentar minha opinião para vocês.

Nesse romance conhecemos Nicolly, uma jovem mulher que sofre de Transtorno Dissociativo de Personalidade, anteriormente denominado Transtorno de Múltipla Personalidade (popularmente conhecido como Dupla Personalidade). Enfim, o fato é que Nicolly apresenta outra personalidade e sua condição estava sob controle depois do longo acompanhamento psiquiátrico e medicamentoso. No entanto, quando Nicolly decide ser independente e morar sozinha noutra cidade, os sintomas voltam a aparecer.

Ao mesmo tempo, Nicolly conhece Adrian. Ela, que geralmente prefere os morenos, se sente atraída por seus fios loiros e olhos claros. Há algo nele que a faz desejar conhecê-lo. Talvez seja seu olhar frio e dominador, sua atitude imprevisível, seu jeito arrogante e autoritário. Adrian parece um ímã que faz Nicolly se esforçar para manter-se próxima. O problema é que, quanto mais próxima Nicolly está, mais distante parece que Adrian faz questão de se manter.

Resenha 142 | A Herdeira

em 6.4.16 29 comentários
Título: A Herdeira – Série Os Lobos de Ester, volume 1
Autora: Janice Ghisleri
Editora: Planeta Literário | 2015 | 375 páginas
Sinopse: Eles eram milenares, míticos e poderosos, mas foram capturados e tratados como cobaias. Com a ajuda de um cientista foram libertados, e agora lutam para resgatar os últimos lobos e começar uma vida nova. Noah era o alfa. Apesar de belo e feroz, carregava profundas cicatrizes em seu coração. Por isso, estar perto de Ester era a última coisa que ele podia enfrentar, mas seu beta, Erick, pensava o contrário. Tudo estava indo bem para Ester. Ela tinha uma nova casa, além de uma clínica veterinária, e um admirador secreto que lhe enviava flores e presentes, até ela atender um chamado para ajudar um animal ferido. E assim, Ester entrou em um mundo paralelo, onde havia homens altos, fortes, sensuais e com olhos exóticos que jamais havia visto na vida. Após o choque de descobrir a verdade sobre seu pai, Ester soube que não era uma herdeira normal quando o conteúdo do seu testamento foi revelado. Um deles era um companheiro, e isso teria uma consequência imensa para a sua vida. Porém, nem imagina o que acontecerá quando descobrirem sua verdadeira identidade. Embarque nessa aventura e descubra qual o mistério que uniu a herdeira aos lobos.

Resenha
[Literatura +18]

Eu adoro o gênero romance sobrenatural, especialmente quando envolve shifters – também conhecidos como metamorfos. A dicotomia entre a natureza humana e a animal sempre me fascinou nessa modalidade de história. Não é à toa que a maioria dos romances com tais criaturas é erótica. Por isso, agradeço a autora Janice Ghisleri pela oportunidade de ler A Herdeira através do seu Book Tour.

O enredo se desenvolve em Oldemburgo (Alemanha), onde nossa protagonista, Ester Klaus, atua como médica veterinária em sua clínica particular. Atendendo a um chamado, Ester vai até uma mansão afastada da cidade para socorrer um lobo ferido. O problema é que o tal lobo não era comum; e a presença de Ester também não era ocasional. Ela descobre que o lobo ferido era, na verdade, um rapaz metamorfoseado que pertencia a uma grande alcateia. 

Resenha 141 | Os Imperiais de Gran Abuelo

em 1.4.16 57 comentários
Capa provisória
Título: Os Imperiais de Gran Abuelo
Série: Crônicas de Pólvora e Sangue, volume 1
Autor: M. R. Terci
Publicação independente: Amazon | 2016 | 255 páginas
Sinopse: Em janeiro de 1880, um grupo de soldados imperiais adentrou pelos pântanos que ladeavam a Vila de Nossa Senhora do Belém de Tebraria, antiga sesmaria de Amador Bueno da Veiga, Província de São Paulo.
Conduziam, por ermos e sendas de custosa passagem, um caixão coberto com a bandeira do Império.
A missão legada a seus sabres: dar cumprimento à derradeira ordem de seu Comandante-em-Chefe, o Legendário Marquês Manuel Luís Osório.
Estes imperiais, afamados pela eficiência em combate são os mais temíveis e sanguinários soldados do tal Vale da Sombra da Morte. Festejados por seus feitos e solenizados por suas incontáveis vitórias nas Campanhas das Cordilheiras Paraguaias, em breve, os memoráveis soldados a serviço do Império de Dom Pedro II encontrarão terríveis e inimagináveis inimigos municiados de dentes ávidos e garras aduncas, com muito mais do que podem dar conta.

Resenha

Eu começo essa resenha manifestando um desejo pessoal: esse livro precisa alcançar o maior número possível de leitores! É uma obra primorosa, que superou minhas expectativas e me fez admirar ainda mais o talento do autor Marcos Terci. Com essa obra, o autor ultrapassou o limite literário do entretenimento e deu ao leitor brasileiro condições de conhecer um pouco mais sobre a história do seu país. É um livro que quero dar aos meus filhos, sobrinhos e netos, pois ultrapassa as barreiras do tempo. Aliás, quero muito que meus amigos, minha família e vocês o leiam.

O livro ainda não foi publicado em edição impressa – o autor está à procura de uma boa oportunidade editorial, e estou na torcida para que receba o prestígio merecido. Você pode encontrá-lo em formato digital na Amazon.


Dito isso, vamos à resenha.

Resenha 140 | Rainha de Copas

em 30.3.16 20 comentários
Rainha de Copas Título: Rainha de Copas – Série Queen of Hearts, vol. 1
Autora: Colleen Oakes
Editora: Universo dos Livros | 2014 | 216 páginas
Sinopse: Nem todo conto de fadas tem um final feliz... Como princesa do País das Maravilhas e futura Rainha de Copas, os dias de Dinah são uma monotonia sem fim. São muitos chás, tortas e uma série de humilhações causadas pelo Rei de Copas, seu pai. O momento mais esperado de seus dias é quando é visitada por Wardley, seu melhor amigo de infância, e futuro Cavaleiro de Copas - e o amor de sua vida.Quando a coroação de Dinah se aproxima, uma sequência de eventos sangrentos sugere que algo errado está acontecendo nos extravagantes salões do palácio. A princesa terá de desvendar esses mistérios antes que ela perca a cabeça para um inimigo sagaz.Personagens conhecidos como o Gato de Cheshire, o Coelho Branco e o Chapeleiro Maluco fazem parte da narrativa que encantará os leitores com uma nova perspectiva do País das Maravilhas, criado por Lewis Carroll.

Resenha
por Bianca

Adoro contos de fadas, e um dos meus prediletos é Alice no País das Maravilhas. Confesso que nunca li o livro em si, a não ser aqueles contos distribuídos em escolas públicas. Os incontáveis filmes adaptados a partir da história original me fascinam. E, para falar a verdade, sempre achei tudo muito sombrio.

A grande vilã desse conto é a Rainha de Copas. Sempre tive curiosidade para saber mais a respeito dessa personagem e, quando a Fran me ofereceu a obra inspirada justamente nela, fiquei receosa (por pensar se tratar de uma romantização) e animada ao mesmo tempo. Ainda bem que não dispensei, pois a leitura não foi menos que maravilhosa.

Dinah é princesa no País das Maravilhas. Sua mãe falecera e, desde então, o país passou a ser governado exclusivamente por seu pai.

Resenha 139 | Imperfeição

em 21.3.16 15 comentários
Título: Imperfeição [conto da antologia A Verdadeira Morte]
Autor: Rennan Andrade
Publicação independente: Amazon | 2016 | 8 páginas
Sinopse: Talvez nossas imperfeições sejam o motivo para que nós, humanos, sejamos tão perfeitos. Porque não importa o quanto a pessoa que a gente ame diga que somos perfeitos e o quanto isso nos faça sentir especiais. Todos sabemos que, lá no fundo, por mais que o outro queira, isso nunca é verdade. 
A única verdade, nessas situações, é o amor. Um amor que é capaz de cegar de uma maneira tão forte que acabamos por nos apaixonar, não só pelo que há de bom na pessoa amada, mas também por suas imperfeições.
Arthur é imperfeito de seu próprio modo: é antissocial, calado, e vive num mundo que parece ser apenas dele. Apesar disso, eu não acho que eu o teria amado tanto caso ele fosse melhor que isso. No começo, o tempo estava ao meu favor; no fim, nem tanto...
Essa foi minha vida junto a Arthur... — Jéssica Mendes.

Resenha

Sabe quando aquele alguém aparece e atrai sua atenção imediatamente? Aquele alguém que seus olhos perseguem, mas seu coração – agitado no peito – não te deixa se aproximar? É assim que a protagonista desse conto se sente.

Jéssica, uma adolescente comum, está vivendo os (dis)sabores do Ensino Médio. Sendo gentil e um pouco tímida, sofre por não conseguir expressar seus sentimentos. Ela está apaixonada por Arthur que, aparentemente, sequer nota a sua existência. Ele cativou seu interesse logo que ingressou para sua classe, mas o fato de ser silencioso e reservado é um grande obstáculo. Jéssica não tem coragem de se aproximar dele.

Misterioso, quieto e um grande antissocial. Não chamava a atenção de ninguém na nossa sala ao sentar no fundo da classe...

Resenha 138 | Nano-Mortais – A Tecnologia do Inferno

em 17.3.16 19 comentários
Título: Nano-Mortais – A Tecnologia do Inferno | Duologia, vol. 1
Autor: Acácio Brites
Editora: Garcia | 2016 | 322 páginas
Sinopse: No auge da Era Tecnológica, um renomado médico cientista chamado Nikolai Engerhoff é descobridor e aperfeiçoador da Nanotecnologia, uma tecnologia inovadora capaz de curar qualquer doença já diagnosticada. Pelo menos, esse era o plano inicial!
Após os primeiros testes em seres humanos terem sido bem-sucedidos, os pacientes da Nanotecnologia começaram a desenvolver certos efeitos colaterais: raiva, ódio, violência e instintos selvagens. Tais sintomas não sumiam nem mesmo depois que os pacientes morriam. Eles começaram a desenvolver um surto psicótico, prontos para matar, espalhando a nomeada "Praga Nano" por todo o Planeta.
Essa praga viral começou a se espalhar pelo mundo, afetando a vida de bilhões de pessoas, inclusive a do famoso e recém-aposentado jogador de futebol Scott McConnell.
Será que Scott conseguirá sobreviver a essa guerra do futuro? Ele salvará a vida de seu filho e das pessoas que ama?

Resenha

Eu adoro distopia! Mas reconheço que, na literatura, é difícil superar alguns clichês desse gênero. Então, imaginem como me senti quando Acácio Brites apresentou uma obra inovadora, cheia de ação, mistério e drama... Acertou quem respondeu: completamente empolgada!

Nano-Mortais é narrado em formato de diário pelo protagonista, Scott McConnell, um jogador de futebol americano que se aposentou após uma lesão no joelho. Logo nas primeiras páginas entendemos que Scott é divorciado e pai de um filho adolescente, Steve, a quem muito ama. O cenário é a cidade de New York.

Scott ganhou meu coração pelo modo honrado e correto com o qual administra situações e pessoas. Ele é um cara forte, honesto e gentil. Certo dia, acompanhando o telejornal, Scott passa a ver com frequência notícias relacionadas a um médico-cientista que aperfeiçoou a Nanotecnologia e promete, através dela, curar todas as doenças já conhecidas! Paralelamente ao avanço dessa incrível novidade, Scott enfrenta alguns desafios. Foi muito criativo o modo como o autor fez a vida de Scott colidir com a proposta revolucionária da Nanotecnologia!

Imaginem um mundo livre de doenças!

Resenha 137 | Atrás: De você, de nós, de mim

em 16.3.16 16 comentários
'Bora
falar de contos nacionais?

O parceiro Elielson Júnior publicou recentemente dois contos de gênero terror psicológico em um único e-book! Eu os li e adorei, gente. Muito diferente do que vemos por aí. 

Conheça:


Título: Atrás: De você, de nós, de mim
Autor: Elielson Júnior
Publicação independente: Amazon | 2016 | 14 páginas
Sinopse: Um ser que caminha e persegue, que domina a alma e a devora sem escrúpulos. Uns dizem que tudo faz parte da mente imaginária do ser humano, mas só quem a vê e a sente conhece a verdade.
Dois contos que trazem o relato de quem já vivenciou o que essa coisa demoníaca pode fazer, os seus perigos e suas ações, suas canções ameaçadoras e o medo que ela consegue proporcionar.




Resenha

O autor Elielson Júnior conseguiu me provocar desde a sua introdução, na qual explicava que o e-book se compõe de dois contos (aparentemente separados, mas conectados de certa forma): 

Atrás de Nós pode ser uma continuação direta de Atrás de Você, porém, também pode não ser, isso é o que a sua interpretação vai dizer... [introdução do autor]

Ambos os contos não têm um protagonista definido, podendo ser um homem ou uma mulher. A narrativa em primeira pessoa provoca apreensão. Atrás de Você me deixou cheia de dúvidas. O personagem sente-se insatisfeito com a própria vida e passa a ver uma sombra. A princípio, entendi que a sombra pudesse realmente existir. Depois, hesitei. Agora me divirto em pensar que isso não importa.
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