Autor: M. R. Terci
Publicação independente: Amazon | 2016 | 285 páginas
Sinopse: "Os gringos tiraram as divindades do próprio quintal e trouxeram seus ídolos, seus mártires crucificados, seus santos imolados, seus caras orelhudos e seus lances de macumba para dentro dos santuários e dos locais de adoração e poder dos Antigos Deuses Brasileiros. Essa terra já foi Deles e, pelo visto, voltou a ser."Tudo começou com sangue e, assim, deve terminar.O detetive P. Pastore, vulgo Pastor, é um profissional de reputação duvidosa, conhecido por trabalhar para gente da pior espécie na Cidade Baixa. Quem o conhece de perto, sabe que o melhor a fazer é se afastar, sair do caminho desse toxicomaníaco sem esperanças a meio caminho do suicídio. Dizem, que o sujeito vê, ouve e sente coisas que só coabitam os limites de sua delirante percepção.Quando uma misteriosa funcionária da embaixada russa contrata Pastore para encontrar sua protegida, a filha do embaixador, tudo muda. Para pior. Seguindo suas pistas, numa infindável trama mitológica, o detetive enlouquece de vez e executa a garota na Baía das Águas Claras.Preso em flagrante, Pastore é conduzido ao Distrito Amarelo.Agora ele tem apenas uma noite para convencer os investigadores de que o melhor que todos têm a fazer é encomendar a alma a Deus e jogar roleta russa na sala de interrogatórios.Uma visão contemporânea e insanamente desapiedada sobre a mitologia desenvolvida por Monteiro Lobato. Uma história negra, com um crescendo de loucura e perversidade que conduzem o leitor ao clímax diabolicamente inusitado.Bem-vindos a esta viagem alucinante às raízes folclore brasileiro, numa dramática infusão da beberagem do horror cósmico com 100% malte de divindades brasileiras.O Mythos é recomendado para os doentes da razão e os degenerados do espírito. LEIA SEM MODERAÇÃO. Persistindo os sintomas, um xamã devera ser consultado.
Resenha
[literatura +18 por conter violência explícita]
Há enredos inovadores, ousados e envolventes. Mas nunca conheci nenhum que sequer se aproximasse desse. O Mythos – O fim do mundo é logo ali está além de qualquer imaginação, com exceção da criatividade singular de seu autor.
Nosso protagonista não é jovem. Sua experiência já se revela em um corpo físico cansado, mas duro na queda. Pastore é seu sobrenome, vulgarmente chamado de Pastor. Logo no início percebemos que o povo o odeia, a polícia também. Ele acaba de ser detido e prestará depoimento. Está sendo acusado de ser o sanguinário Homem de Palha, assassino que gosta de estripar suas vítimas.
Pastore não é santo, logo notamos.
Mas ele também não costuma levar crédito pelo que não fez.
Ele não é o Homem de Palha. O problema é que sua ficha está longe de ser limpa. E, claro, ele é um poço de informação para a polícia. Pastore é um ex-militar que atua, agora, como detetive. Mas nem tudo o que diz faz sentido.
Calma, eu explico: Pastore carrega um dom (ou talvez uma maldição). Ele vê fantasmas. Os espíritos descarnados não são belos, tampouco permanecem eloquentes quando presos no mundo dos vivos. Logo, Pastore leva uma vida de grande dificuldade.
Com esse dom, resolve casos complexos. Igualmente, no entanto, acaba por se envolver em situações bizarras. E isso nos leva ao enredo de O Mythos.




